Agora, o assunto da vez é outro: fibras.
E, diferente de muito hype que nasce no algoritmo e morre no carrinho de compras, esse tem base. A NielsenIQ colocou “nutrição e saúde intestinal” como a tendência global nº 1 em saúde e bem-estar para alimentos e bebidas em 2025. Ou seja: o consumidor não está apenas procurando “menos calorias”. Ele está olhando para digestão, intestino, microbiota, ingredientes funcionais e rótulos que façam algum sentido.
FONTE: https://nielseniq.com/global/pt/insights/report/2025/global-state-of-health-wellness-2025/
A fibra entrou exatamente nesse lugar: menos glamour de prateleira de suplemento, mais impacto real no corpo.
A fibra sempre esteve ali. No feijão, na aveia, nas frutas, nos vegetais, nas sementes, nos grãos integrais. Só que, por muito tempo, ela ficou com fama de coisa “de dieta”, “de intestino preso” ou de recomendação que a nutricionista fazia no final da consulta.
Agora o jogo virou.
A Veja Saúde publicou em junho de 2026 uma matéria chamando as fibras de “nutriente ignorado” que virou prioridade da nutrição, destacando seus impactos na microbiota, glicemia, coração, envelhecimento saudável e prevenção de doenças.
E existe um motivo simples para essa virada: a maioria das pessoas não consome fibra suficiente.
O problema é que o consumo médio do brasileiro fica bem abaixo disso. A Nutritotal cita dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017–2018 indicando média de apenas 15,6g de fibras por dia.
Ou seja: não é só uma tendência bonita. É uma lacuna alimentar gigante.
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, o termo da vez é fibermaxxing: a prática de aumentar intencionalmente o consumo diário de fibras. No TikTok, virou trend com bowls coloridos, chia, frutas vermelhas, aveia, leguminosas e refeições cheias de plantas.
A CNN Brasil explicou que a tendência nasceu de conteúdos mostrando refeições ricas em fibras para melhorar saúde intestinal, controlar peso e reduzir inchaço, com vídeos acumulando milhões de visualizações.
A diferença é que, dessa vez, nutricionistas não estão revirando os olhos em silêncio. A Marie Claire UK ouviu especialistas como Dr. Megan Rossi, Dr. Emily Leeming e Sophie Medlin, que tratam o fibermaxxing como uma das raras tendências de nutrição vindas do TikTok que realmente fazem sentido — desde que feita com equilíbrio, variedade e aumento gradual.
A Mayo Clinic Press também abordou o tema e reforçou que o foco em mais plantas, frutas, vegetais, grãos integrais, feijões e leguminosas é positivo, principalmente porque a maioria das pessoas consome menos fibras do que deveria.
Traduzindo: pela primeira vez em muito tempo, o algoritmo está empurrando as pessoas para o feijão. Ponto para o algoritmo.
Porque fibra conversa com várias preocupações modernas ao mesmo tempo.
Ela participa da saúde intestinal, ajuda na regularidade do intestino, contribui para saciedade, pode apoiar o controle glicêmico e está ligada a benefícios metabólicos e cardiovasculares. A Mayo Clinic destaca que as fibras ajudam a microbiota, digestão, controle de apetite e saúde de longo prazo.
Além disso, o tema encaixa perfeitamente no novo comportamento wellness: pessoas querem produtos funcionais, mas também querem rótulos mais claros, ingredientes reconhecíveis e soluções que entrem na rotina sem cara de castigo. A NIQ aponta que os consumidores valorizam transparência, clareza e produtos que ajudem em escolhas conscientes de saúde.
É aí que a fibra deixa de ser “ingrediente técnico” e vira argumento de mercado.
O movimento não está acontecendo só no prato. Ele chegou às bebidas.
A Arla Foods Ingredients aponta que alimentos e bebidas com benefícios além da nutrição básica estão em alta, citando refrigerantes enriquecidos com prebióticos como exemplo de como funcionalidade e prazer podem coexistir.
A Food Connection também destaca que as fibras deixaram o papel de coadjuvante e passaram a ocupar um lugar central na nutrição funcional, especialmente no mercado que busca soluções práticas, confiáveis e alinhadas às necessidades reais do consumidor.
Esse é o ponto: ninguém quer viver de suplemento, pó, cápsula e promessa. O consumidor quer uma rotina melhor, mas que continue tendo gosto, textura, prazer e conveniência.
Porque saúde que parece punição não dura.
A grande virada cultural das fibras é essa: elas saíram do imaginário do farelo sem graça e entraram no território da abundância.
Mais frutas. Mais sementes. Mais leguminosas. Mais grãos. Mais variedade. Mais plantas no prato. Mais inteligência no rótulo.
A nutricionista Steph Grasso, em entrevista ao Good Morning America, recomenda aumentar o consumo de fibras aos poucos, começando com metas menores e subindo gradualmente. Ela também destaca alimentos simples como feijões, quinoa, aveia e cevada como boas opções para o dia a dia.
Esse cuidado é importante porque fibra demais, rápido demais, pode causar desconforto. O caminho não é “enfiar fibra em tudo” de um dia para o outro. É construir uma rotina mais rica, mais vegetal e mais consistente.
Ou seja: não é só uma tendência bonita. É uma lacuna alimentar gigante.
TUDO!
Nascemos justamente nesse novo momento: o momento em que o consumidor quer prazer, mas não quer desligar o cérebro na hora de beber alguma coisa. Quer borbulha, sabor, leveza e uma experiência gostosa — mas também quer saber o que tem ali dentro.
É por isso que bebidas com fibras prebióticas fazem tanto sentido agora. Elas não substituem uma alimentação equilibrada, nem prometem milagre. Mas ajudam a levar a conversa das fibras para um lugar mais simples: a rotina.
Não é sobre transformar todo gole em discurso nutricional. É sobre fazer uma escolha melhor sem perder o prazer.
No fim, talvez esse seja o verdadeiro hype das fibras: elas não chegaram para virar modinha de nicho. Chegaram para lembrar uma coisa básica que o wellness tinha esquecido no meio do caminho.
O futuro da saúde pode até ter tecnologia, app, algoritmo e suplemento com nome difícil.
Mas também tem fibra.
E, olha só, talvez ele tenha “sabor” refrigerante.